terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Demasiado. (Post não consensual, já sei)


Detesto fanatismos. Há o respeito, há a memória, há o reconhecimento. E depois há o exagero, o mau gosto e a perda dos limites morais.

Eusébio.
Foi um grande jogador, segundo dizem e pessoa digna de reconhecimento. Não digo que não. Mas NADA justifica tamanho exagero por parte dos média a forçar a notícia e a fazer dela um acontecimento capaz de parar o país (o Governo agradece, já agora), a perda de noção do razoável, as opiniões exageradíssimas já para lá do sóbrio, as decisões questionáveis do clube, as propostas que vão ser levadas à Assembleia da República e todo o circo que se montou à volta da morte de um ser humano - como se, de repente, os milhares de Euros para transladar um corpo para o Panteão fossem totalmente irrelevantes para o país (afinal... estamos bem de finanças).  E ainda são decretados três dias de luto nacional. Portanto, morrem oito bombeiros a lutar pela nossa vida e pelos nossos bens e não há dias de luto, até é necessária uma petição. Morre o Eusébio e nem se questiona. Lamento o que aconteceu, a sério que sim, mas era apenas um ser humano, que já sofria de complicações de saúde e que foi bom como tantos outros foram.

De repente, todos conviveram com Eusébio, todos têm um episódio com o Eusébio, todos conhecem uma faceta até então escondida da personalidade do Eusébio. De repente, todos vão para o Estádio, todos choram e todos fotografam o corpo do jogador durante o velório. Se até então ainda dei o benefício da dúvida à coisa, aí perdeu-se tudo mesmo. De uma baixeza e mau gosto extremos, que nem merecem comentários, só estupefação.

São coisas destas que me revoltam neste país, que até me envergonham e que me mostram por que motivo estamos atrás de qualquer outra nação. Porque nunca fomos bons com limites. Nem com os bons, nem com os menos bons. Ou até sejamos mesmo bons nos menos bons, agora fico na dúvida.



4 comentários:

Rafael S. disse...

É a merda de país que temos. Aqui só se é depois de morrer...

Porquê? Porque aqui, a bola nos pés é mais importante que aquela que vai acima dos ombros...

Eduardo disse...

Concordo com tudo. Mas olha, pelo menos não fizeram selfies com ele em plano de fundo. E acrescento que eu nunca convivi com ele, ao contrário de todos os meus amigos do facebook.

MARIA REIS disse...

Somos tão piquininos! Seja a nível nacional ou local, o morto depois de morto era a melhor pessoa do mundo. rsrsrsr.

Joana disse...


Rafael, não há como fugir à velha máxima dos 3 F...

Eduardo, chorei a rir com o desabafo sobre os amigos do Facebook :D

Maria Reis, se somos! Cada coisa destas prova - e bem - essa verdade...