terça-feira, 31 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Outra receita para a dor.


Hoje falava com uma aluna minha sobre a mãe dela, uma senhora que sofre muito com a sua saúde e a quem não param de surgir complicações. Fico impressionada com algumas das coisas que me conta, mas sobretudo com a forma como a dita senhora luta e encara as coisas - com naturalidade, com uma resignação estranhamente correta e positiva. Acredita sempre que todos os tratamentos que faz dão resultado, que todos (e são muitos!) efeitos secundários são condições obrigatórias para a cura e que nenhuma lamentação lhe vai tirar os problemas que tem ou virar os ponteiros da sua bússola. 
Fico impressionada com esta visão da vida. É um misto de admiração pelo exemplo e um estranhamento pela naturalidade com que uma sucessão de azares abala tão pouco o espírito de uma pessoa. Será mesmo assim?


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sunday, different Sunday...


Entre andar por caminhos de cabras, cantar a plenos pulmões a pior música pimba alguma vez criada, circular num troço de estrada onde o alcatrão derreteu, passar por uma terra chamada Sub-Rego, ver uma placa indicativa de localidade com a palavra "Multibanco" inscrita, andar no meio do pó e a ser brindado com carros de escape roto a fazer piruetas e demonstrações de parolice extrema para levantar ainda mais pó, tirar cerca de 30 fotos iguais e nenhuma ficar bem, resolver partir para outra localidade à hora do final do jogo e não conseguir ouvir e falar com o barulho ensurdecedor de buzinas e decidir ir para a única cidade onde, seguramente, nenhum festejo haveria... isto tudo, sempre com o som irritante das pedrinhas de alcatrão a saltitar nas rodas do carro, que mais parecia que uns cavalos iam a caminhar a nosso lado... foi um belo Domingo.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

A importância dos dias.


Ontem falávamos dos nossos dias. Não dos de agora, mas dos da nossa história. Do que cada um marcou, do que cada um mudou em nós. E hoje é mais outro para a contagem. Sem nada que diga algo a outros, mas que nos diz muito a nós. É um dia nosso. E muito feliz, como sempre. 





quarta-feira, 18 de maio de 2011

Porto e Braga


Que estranho andar pelo Porto e sentir que os adeptos, mesmo os mais aguerridos, não sentem particular desejo cego de ver a sua equipa ganhar. Se assim puder ser, melhor. Mas se for o Braga, amigos na mesma. O que mais se ouve hoje por aqui é "Ganhe quem ganhe, o importante é ser do Norte!" Não me parece mal, não senhor. E nem o Braga parece gostar muito do apoio dos benfiquistas e demais anti qualquer coisa relacionada com o FCP. O espírito hoje é bom e sente-se uma leveza desportiva que há muito não rondava pela nossa realidade. É a verdadeira competição sem lugar a ódios. E até me palpita que logo à noite vou ver muita cor misturada no festejo da Taça. Ainda bem.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

"A idade, por favor."


Porque é que eu por vezes me sinto uma criança quando estou rodeada de crianças? É que por alguns momentos - é inevitável - retiro uns bons 20 anos à minha idade verdadeira e ajo de acordo com os meus companheiros de brincadeira. Momentos muito felizes da minha vida, no fundo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Cenas de autocarro


Fico doente quando vejo um pensionista a criticar um jovem só porque sim, porque é jovem, porque não tem ainda a experiência de vida que o referido senhor. Quando há motivos, pois sim. Mas quando não, quem está a ser desrespeitador e mal-educado é precisamente quem acusa.
As pessoas mais velhas têm a mania que os lugares da frente de um autocarro lhes são exclusivos, quando apenas quatro são de cedência obrigatória. Todos os outros poderão ser "deles" no caso de alguém lhos oferecer voluntariamente. Dito isto, que legitimidade têm eles para apontar o dedo a quem não lhes cede o lugar nos outros locais que não nos tais quatro bancos? Se estivessem caladinhos em vez de acusar, talvez fosse mais fácil que alguém se levantasse realmente de forma voluntária e oferecesse o seu lugar. Sim, porque eu acredito que muita boa gente levanta o rabinho só para não ter de ouvir as queixas e o "Isto agora..." e o "No meu tempo não era assim", e não porque realmente o queira.
Recordo-me de um episódio há uns anos quando ia num daqueles tais lugares de cedência obrigatória. Todos os velhotes que passavam me criticavam, mas nenhum de forma directa; em vez disso, eram muito mais inteligentes e comentavam alto para a pessoa ao lado, assegurando-se de que eu ouvia bem o queixume e a crítica. Calaram-se quando eu me levantei a coxear de tal maneira, que nem apoiava o pé no chão. Alguém pediu desculpa? Alguém se retractou? Qual quê! Há que manter o orgulho de se ser velho, de se ter experiência de vida e de, por isso, ter sempre o dom da razão inquestionável. Valeu eu não ter papas na língua e ter dito "Estes lugares são de cedência obrigatória a pessoas grávidas, com crianças e de mobilidade reduzida. Os senhores estão desde há meia hora cheios de energia a criticar quem tem direito a estar aqui. Não me parece que seja eu a estar no lugar errado." E pronto, silêncio. Tenho a certeza que, mal saí, fui acusada de ser mal-educada por ter dito o que era justo ser dito.
Hoje, uma situação idêntica com um casal jovem de namorados. Estavam sentados naqueles espaços para colocar os sacos (nem em lugares sentados iam) e uma equipa de velhotes começou a criticá-los só porque sim. Não estavam a estorvar, não estavam em cenas impróprias, nada. Iam tranquilos, sem falar ou incomodar alguém. E a velhada toda a criticar e a dizer o mesmo de sempre. Para além de que uma velhota ainda disse que a moça era muito gorda para estar ali, que devia estar era na SIC! Fiquei parva e sobretudo indignada com a ausência de qualquer reação por parte da rapariga. Se fosse eu, não me ficava. Não suporto a mania que os mais velhos têm de que são eles o símbolo do respeito e da boa conduta e os jovens umas bestas quadradas que, só por existirem, já vão destruir o mundo.
Enfim, é ignorar, respirar fundo e seguir em frente.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Esta coisa da felicidade.



Costumo consultar com alguma frequência um blogue onde não há um dia em que não se fale de como o amor de quem escreve por quem é alvo da sua escrita é pleno e inquestionável, de como tudo é perfeito e se conjuga sem desalinhos. Por muito que goste de ler aquelas linhas e perceber essa felicidade distante, transposta nas palavras do/da autor(a), não acredito, na minha realidade, nessa perfeição plena que é definida por felicidade. Primeiro, porque a plenitude de um sentimento não se alcança assim, de repente. Depois, porque essa coisa da felicidade é a mais imprecisa palavra que conheço para definir. E valerá a pena defini-la? Penso que não. A felicidade vive-se, num momento, naquele preciso momento. Pode ser um pequeno sorriso, uma grande vitória profissional, um carinho, uma tentação cheia de açúcar, um abraço, um beijo, um amigo, um carro novo, um desejo concretizado, uma vitória sobre uma doença, uma viagem, uma aventura, um reencontro, uma surpresa, um silêncio, um piscar de olhos, um nada. A felicidade é tudo num dado instante, mas torna-se num nada se não for alimentada. A felicidade varia em função do cenário, das pessoas, dos momentos. Ser-se feliz é muito diferente de se estar feliz. 
Eu não sei definir o que é a felicidade. Não sei se é contínua ou intermitente, se ainda faz parte de mim no seu todo ou se me visita apenas de quando em vez. Mas sei que me sinto uma pessoa feliz. Talvez não de forma plena, mas numa perspetiva de "em construção". Todos os dias faço por ver as coisas no seu melhor, mesmo sabendo que pouco se presta a tal. Se todos os dias conseguir arrecadar mais um (que seja) momento de felicidade, pelo menos é menor o espaço que fica livre para a tristeza.