domingo, 2 de novembro de 2014

Dia dos Fiéis Defuntos (não quero ofender ninguém com este post, atenção!)

Eu e este dia nunca nos demos bem.
Sempre o achei uma fachada e a vida, as perdas, os sofrimentos e afins não mudaram em nada esta minha opinião. 

Lembro-me de ser miúda e de ver, no cemitério que se avistavava da nossa casa, tudo iluminado nos dias 31 de outubro e nos dois primeiros dias de novembro. No resto do ano, via-se uma, no máximo duas luzes a brilhar. E lembro-me de pensar que as pessoas eram mesmo más, por não se lembrarem dos seus pais, avós, tios, etc. noutras alturas do ano. Desde aí que não encaro bem a forma como as pessoas vivem este dia e, apesar de ter de respeitar as diferentes opiniões, custa-me muito a aceitar isto com alguns membros da minha família.

Acho realmente que não se trata de nada de muito especial e que não é necessário haver um dia no ano para nos fazer ir ao cemitério e recordar quem perdemos. Quem ama e respeita verdadeiramente os já defuntos, e se tem a fé e o princípio de visitar as suas campas, fá-lo várias vezes ao ano e quando o coração lhe pede tal. Ir porque todos vão, porque o calendário assim o dita é, a meu ver, uma atitude forçada. Já para não falar que estou em crer que a grande maioria que cumpre a tradição, o faz para não ser falado por outros ou então precisamente para o ser, (por aquilo que julgam ser) pela positiva. Só interessa ter flores frescas e as campas limpas e isso é, no mínimo, patético. Que importância tem isso, sinceramente? Tudo isto é, para mim, uma farsa e não me identifico minimamente - nem cumpro - nenhuma tradição neste dia. Acho sinceramente que as nossas pessoas que partem estão sempre no nosso coração e é aí que lhes devemos respeito e adoração. E não há campas, flores, círios, dias nem pessoas que me mudem a opinião.
(Já para não falar no grande negócio que isto tudo é. Surpreende-me que as pessoas nem questionem isto, enfim.)
 
Quem ama e respeita não tem de mostrar nada a ninguém. Tem de viver esse amor e saudade para si. É uma opinião muito radical talvez, mas é a minha, desde sempre. Nada mais.



3 comentários:

Sílvia disse...

Concordo contigo. Por aqui parece que se vê uma espécie de disputa para ver quem tem as flores mais bonitas e mais vistosas. Aqui por casa vamos ao cemitério sim da mesma forma que vamos todas as semanas durante o resto do ano. Não é por ser especificamente este dia. Todas as semanas "visito" as minhas avós pelo menos para lhes levar luz. A parte das flores é uma tia minha que trata mas para nós este é só mais um dia porque na realidade os nossos estão sempre connosco e não precisamos de dia nenhum para nos lembrarmos deles.

Maria Varredora Pau de Vassoura disse...

São tradições, rituais pre estabelecidos.
Mas cada vez mais... as pessoas estão a deixar de segui-las.
Pessoalmente nunca liguei, nem os meus ligaram. E ainda bem.

Joana disse...

Sílvia, penso precisamente desse modo. Ir porque se tem fé, quando se sente que se tem de ir, claro que sim! Ir porque algo o dita, não. É por estas e por outras que eu questiono sempre a fé dos "muito católicos", porque, por regra, são os que menos agem por fé, mas apenas para a mostrar a terceiros.

Maria, mesmo se muitas as estão a deixar de seguir, outros tantos segu-las-ão sem as questionar. Isso é que me incomoda.

Beijinhos às duas e obrigada por estarem sempre presentes! :)