quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Tu não percebes nada da adolescência, Joana.

Uma mãe desabafa comigo e diz-me que a filha é muito atinadinha, que já "só" teve três namorados e que não gosta de drogas, nem tabaco (e até acha estranho, porque os dois pais são fumadores - devia era agradecer aos céus, digo eu!) e a "única" coisa que lhe pede é para ir para a noite, ficar até às 4h e beber, por noite, duas bebidas alcoólicas. "Só" isto.

- É o normal da idade. - diz a mãe.
- Bem, normal, normal não será... A adolescência é complicada... - digo eu, enquanto pela minha cabeça passam várias imagens da minha adolescência e de uma coisa chamada "limites".
- É complicada, é. Ainda outro dia fomos à discoteca com ela (já não é a primeira vez que ouço isto e soa-me a um disparate tremendo), estivemos com ela até às 4h da manhã (bom para dar o exemplo do que não querem que ela faça) e deixamos-lhe beber duas vodkas à nossa frente (sem comentários). Estivemos lá com ela, ela começou a cambalear... olhe, foi uma risota... e os rapazes a irem todos ter com ela a tentar "tirar um bife"? Só paravam porque nos viam lá e lhe perguntavam se nós éramos os pais dela. Assim ela aprendeu.
(Aprendeu o quê? - pensava eu - Aprendeu que tem montes de rapazes à volta dela se ela beber álcool? Aprendeu que os pais são uns "corta-mocas"? Aprendeu que é totalmente normal ficar até às 4h da manhã na discoteca?)
Fiquei sem saber que dizer e apenas me saiu isto:
- Que idade tem ela?
- Tem 14, mas em abril já faz 15.

Ah, em abril já faz 15, minha gente!

Enfim.
Nada mais a dizer.
O mal não está mesmo na geração futura; está na geração presente.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Hoje é um dia não.

Não tenho paciência.
Não estou bem disposta.
Não me apetece falar com ninguém.
Não me apetece trabalhar.
As coisas não batem certo.
O que estava planeado não se concretiza.
E sobretudo não posso mais com a dor de cabeça lancinante que tenho.

E ainda tenho mais 4h de concentração pela frente até chegar a casa e "desligar"... E, claro, hoje nem um anelgésico na carteira tenho, quando ando SEMPRE com um analgésico na carteira! Detesto estes dias, a sério. Que este acabe depressa e bem, é só o que peço...


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Está a por-se noite de temporal....

... e eu fico com o coração aos pulos só por pensar que pode vir uma "granizada" daquelas de há meses, que nos deixou o carro todo com pequenos vincos. Males de quem vive sem garagem... (Vá lá, previsões de todas as cores, estejam erradas, vá lá!...)

Falta de horas de sono dá... quer dizer... podia dar nisto.

Pôr sal no chá em vez de açúcar. 
Nada mais a dizer. (Para além da constatação de que frutos vermelhos com sal não é a melhor das combinações).

(Não durmas, não.)


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ó Joana, tu não devias estar contente com o início do ano letivo?

Devia, claro! É a altura em que tudo recomeça, o que é ótimo depois de um mês ao estilo "deserto". Mas detesto, na verdade, porque é a altura em que os meus professores me dão conta das suas novas disponibilidades e, regra geral, me indicam que foram colocados em Cascos de Rolha ou em qualquer outro sítio, ou então que arranjaram outra atividade fora do domínio da educação, que lhes ocupa o tempo. 

Em que é que isto inevitavelmente dá?
Dá numa enorme dor de cabeça à Joana, que tem de encetar uma horrorosa fase de entrevistas em que deteta que a educação está podre, que os valores que movem os professores são balofos, que as pessoas não querem trabalhar e que o professorado se continua a achar uma classe diferente - superior - às restantes e, por isso, merecedora de benesses distintas.
Eu sou professora e contra mim falo, mas detesto MESMO a minha classe. São raros, muito raros mesmo, os profissionais dignos do título de professor, com todos os valores e qualidades que a sua profissão exige. Uma frustração. Se se avaliasse, de facto, a qualidade, havia tanto, mas tanto por onde cortar...


O filho é vosso, não é meu!

Hoje veio cá a tal senhora das "visões", juntamente com o marido... Queriam que eu lhes desse uma (ou a) receita infalível de apoio escolar para que estivesse garantido que o filho ia ter sucesso e que, no futuro, seria médico. Se isto, por si só, já é ridículo, pior se torna se eu disser que o aluno tem apenas sete anos. Pois. E isto é só o início.

Depois, outra...
O filho é "a coisa mais importante da vida" deles, mas informarem-se sobre as aulas dele, o início da escola, os horários, as atividades obrigatórias e opcionais, etc. nada! Nem se deram ao trabalho de pensar, até à passada sexta feira, último dia de férias dos miúdos, que faltava ali qualquer coisa. Conclusão: nem livros o miúdo tem e vai entrar numa nova escola completamente perdido e alheado de tudo. Isto, sim, são pessoas cuidadosas e pais exemplares. A coisa piorou quando lá veio, de fininho, a desculpa do "ando sempre de um lado para o outro e não consigo lembrar-me de tudo". Sem comentários.

(Como o J. diz, se ela vê as coisas por dentro, também poderia ter visto o vidro das janelas da escola por dentro, que é onde são colados todos os papéis com todas as informações, inclusivamente as datas das reuniões com os professores e pais.)

Segue-se outra...
Pediram-me para ser eu a decidir o que fazer com o miúdo. Propus um plano semanal de apoio escolar e indiquei o que será feito nesses períodos. Expliquei 790 vezes a diferença entre as disciplinas obrigatórias e as opcionais (na escola). Alertei para o facto de os finais de dia muito preenchidos e com atividades desportivas não renderem tanto no estudo. Falei do descanso e da responsabilidade que deve ser atribuída às crianças. Chamei a atenção para todos os pontos. No fim, decidiram tudo a correr, sem qualquer consideração pelo que estive para ali a dizer - vai tudo corrido a apoio todos os dias, mesmo no final do tarde e não interessa nada se está cansado ou não, tem mais é que trabalhar. (Estão a ver o género, não estão?) Estive a cansar-me, portanto.

Finalmente...
Parece que viram um extraterrestre a comer uma francesinha quando lhes disse que eu não podia garantir sucesso, porque isso não depende só do meu trabalho. "Como assim?" - perguntaram eles.
Eu desesperei.
O que fui eu dizer? Então isto não é tipo ponho uma moeda / sai prémio?
a
a
Aiii, santa paciência... vai ser este o meu caso bicudo deste ano letivo? (todos os anos tenho um diferente na rifa....)

sábado, 13 de setembro de 2014

Adoro ser surpreendida.

Estava aqui a ver umas fotografias e vídeos antigos em que a personagem principal era o nosso grupo de amigos e dei de caras com alguns postais, vídeos e pequenas surpresas que, ao longo de quase 10 anos de amizade, fomos fazendo em conjunto para oferecer uns aos outros. Quase sempre estas foram iniciativas minhas e fico mesmo contente quando as encontro, por acaso, no meio de tantos outros registos, porque me lembro da reação das pessoas naqueles momentos específicos.
Entre a alegria e o saudosismo, lá surge um pequeno pensamento: concluo que, entre amigos, ao longo deste tempo, apenas fui surpreendida uma ou duas vezes, mas confesso que adorava ser muito mais. Adoro que me deixem sem palavras (para o bom, claro) e há gestos que valem mais do que tudo. Mas não sou muito bafejada com estas iniciativas, lá isso não. E às vezes saberia tão bem...