Eu e a Igreja estamos numa fase de algum afastamento. Já fomos muito chegadas, talvez por influência da minha educação católica, quer em casa, quer na escola. Mas a idade trouxe uma outra visão das coisas e, ao contrário do que muitos pensam, mudei a minha opinião baseada nos meus próprios juízos críticos e não naquilo que se diz por aí e que é moda.
Hoje em dia, muitas pessoas afirmam ser ateias, simplesmente porque nem sequer se querem dar ao trabalho de pensar no sentido da existência humana e consideram ser mais prático e consensual afirmá-lo. Outras - talvez poucas - são-no realmente por convicção. Umas pessoas são agnósticas e deixam em aberto a possibilidade da existência de algo que nos é superior; outras simplesmente dizem que o são, sem saber por que o são. E outras são crentes e têm as sua própria fé e devoção.
Eu continuo a dizer que sou católica, mas confesso que já me senti muito mais próxima da minha Igreja.
A religião que me acompanhou no meu crescimento - ou a forma como eu a via e vivia - não é a mesma que eu vivencio agora, já adulta. Tornei-me crítica e há muitas coisas com as quais me sinto muito frustrada e que me desacreditam desta religião. A situação piora quando sou confrontada com tradições, preceitos e devoções exageradas, que me criam uma espécie de afrontamento e me fazem sentir quase sufocada. Detesto perceber que ninguém é capaz de ver o óbvio nalguns aspetos da Igreja, que todos parecem hipnotizados por aquilo que alguns membros eclesiásticos demandam e decidem, sem que constituam qualquer exemplo do que professam, entre tanta coisa mais. Mas respeito.
Continuo a afirmar-me católica, mas sou-o à minha maneira, na minha própria forma de viver os princípios da religião que me foi ensinada em criança e com a qual aprendi a viver bem e a tornar-me num bom ser humano. Não gosto de seguir cegamente rituais, datas ou celebrações. Não gosto de velas, de promessas ou de qualquer tipo de exageros. Não gosto da religião desenhada à maneira dos Homens, porque há muita coisa que Deus não quereria que fizéssemos e que a Igreja católica professa como inquestionável. Não gosto de muita coisa, mas também reconheço que preciso da fé para estar em paz e ser feliz, e que há coisas na Igreja Católica que continuam a fazer muito sentido para mim.
Eu sei que para as pessoas que me rodeiam e que convivem comigo mais proximamente, isto faz confusão, sobretudo porque são todas devotas. Mas eu quero continuar sempre a ser católica na minha forma própria e pessoal de viver a minha fé. E isso não implica procissões, devoções exageradas a santos ou a locais santos ou qualquer outra coisa. Implica simplesmente a minha proximidade com Deus. Se não me forçarem a ser o que não quero e a ir aonde eu não quero e me deixarem simplesmente viver a minha fé à minha maneira, eu sou uma pessoa em paz e feliz. Para mim, basta-me isto.