Tenho um tio que é a cara chapada do meu pai. Aliás, é mais ao contrário. Se fosse cientificamente possível, diria que ambos eram gémeos com quase 10 anos de diferença. As parecenças são incríveis e dou por mim a olhar para o meu tio ou para fotografias dele e a sentir um amor enorme como se se tratasse do meu pai. E sempre que isto acontece, lá começo eu a treinar o meu cérebro para não ser tão precipitado. Para distinguir. Mas eu até o percebo. É que no meu tio vejo o meu pai daqui a 10 anos. E contra isso, não há cérebro, razão ou emoção que o valha.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A alegre casinha do Sr. Padre.
Numa conversa sobre vida a dois e expectativas, dei por mim outro dia a constatar que a minha casa de sonho é a casa paroquial do padre da minha freguesia. Eu sei, eu sei, soa muito estranho, mas a casinha é e reúne tudo o que desejo para poder marcar o "visto" no quadradinho dos sonhos de habitação, o que é que eu posso dizer?
Sim, eu sou uma pessoa estranha. Eu reconheço.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
"As cartas dizem-me que eu devia ser terapeuta sexual, mas que, não conseguindo, é melhor atender estes tefonemas, dar uns conselhos e aguentar, que eu já nem a ditar a sorte dos signos me safo e já não vou p´ra nova."
Hoje, no programa da Maya (eu não tenho culpa que a minha vida nos últimos tempos seja toda ela uma silly season) ligou um senhor que queria saber se a sua relação iria ter futuro ou não. Coisa normal, se se tratasse da sua mulher. Aparentemente, tratava-se mesmo da mulher de outro. Ele é casado, ela é casada e ambos estão numa relação extraconjugal, curiosamente um com o outro. E o senhor queria saber se o que ia para a frente era essa relação paralela, e não aquela, a real, a oficial. E diz-lhe a Maya: "Não se preocupe, caro José (não sei o nome dele), o seu casamento está mesmo por um fio. Está mesmo perto de finalmente ser feliz!". Sou só eu, ou isto é tudo muito perverso? E o melhor foi a tirada da sra. dona taróloga a dizer: "Nós aqui não julgamos as pessoas, temos que dizer o que as cartas nos indicam, senão elas começam a dar-nos orientações erradas". Eu cá acho que tudo aquilo, desde a senhora com nome de abelha, até ao sr. que telefonou, desde o genérico inicial até aos patrocínios, é uma orientação errada. Mas isto sou eu.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Hoje é um dia feio.
É um dia feio e chuvoso, visto da rua.
É um dia feio e perigoso, visto da estrada.
É um dia feio e enervante, visto do trânsito.
É um dia feio e desconfortável, visto da janela.
É um dia feio e acolhedor, visto da lareira.
É um dia feio e útil, visto da minha to do list.
É um dia feio e distante, visto do meu mapa.
É um dia feio e mais vazio, visto do meu coração.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Somos pobres, somos...
Há crise.
Então não há! Sobretudo nas lojas da ZON, onde se fazem longas filas no serviço de adesões, se espera mais de meia hora para se ser atendido e de ambos os lados do longo balcão se ouvem os clientes a pedir mais este e aquele serviço. "Ah, é só mais 10 Euros? Então compensa! Pode adicionar à mensalidade." Ou, como eu hoje também ouvi: "Escolha-me aí o mais fixe. Nem que seja mais caro." (isto vindo de uma senhora de 40 e tal anos, aparentemente sem grandes posses).
Então não há! Sobretudo nas lojas da ZON, onde se fazem longas filas no serviço de adesões, se espera mais de meia hora para se ser atendido e de ambos os lados do longo balcão se ouvem os clientes a pedir mais este e aquele serviço. "Ah, é só mais 10 Euros? Então compensa! Pode adicionar à mensalidade." Ou, como eu hoje também ouvi: "Escolha-me aí o mais fixe. Nem que seja mais caro." (isto vindo de uma senhora de 40 e tal anos, aparentemente sem grandes posses).
E eu olho para estas pessoas - que são as mesmas que se queixam das rendas, do desemprego, da miséria, do governo e de tudo o mais - a assumir estes encargos tão secundários com esta facilidade e leveza e penso "O nosso mal não é a pobreza do bolso. É mesmo a pobreza de espírito". É que nem há dúvida.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Vermelho, amarelo ou verde?
No dia em que eu vejo um programa de televisão sobre uma rapariga que desistiu da sua profissão consolidada de engenheira civil para se dedicar inteiramente à sua paixão pela guitarra portuguesa e se tornar na primeira guitarrista feminina deste instrumento, chega-me um mail para uma formação (da qual há tanto se esperava uma confirmação que já parecia não vir) numa área completamente distinta da minha, mas que me seduz e já por muitas vezes me deu ânimo para avançar para um projeto só meu. E que, por culpinha da razão, ficou sempre em segundo plano.
Eu sou resistente a estes ímpetos, mas estas coincidências lixam-me os planos, caraças.
Eu sou resistente a estes ímpetos, mas estas coincidências lixam-me os planos, caraças.
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