quarta-feira, 4 de maio de 2011

Esta coisa da felicidade.



Costumo consultar com alguma frequência um blogue onde não há um dia em que não se fale de como o amor de quem escreve por quem é alvo da sua escrita é pleno e inquestionável, de como tudo é perfeito e se conjuga sem desalinhos. Por muito que goste de ler aquelas linhas e perceber essa felicidade distante, transposta nas palavras do/da autor(a), não acredito, na minha realidade, nessa perfeição plena que é definida por felicidade. Primeiro, porque a plenitude de um sentimento não se alcança assim, de repente. Depois, porque essa coisa da felicidade é a mais imprecisa palavra que conheço para definir. E valerá a pena defini-la? Penso que não. A felicidade vive-se, num momento, naquele preciso momento. Pode ser um pequeno sorriso, uma grande vitória profissional, um carinho, uma tentação cheia de açúcar, um abraço, um beijo, um amigo, um carro novo, um desejo concretizado, uma vitória sobre uma doença, uma viagem, uma aventura, um reencontro, uma surpresa, um silêncio, um piscar de olhos, um nada. A felicidade é tudo num dado instante, mas torna-se num nada se não for alimentada. A felicidade varia em função do cenário, das pessoas, dos momentos. Ser-se feliz é muito diferente de se estar feliz. 
Eu não sei definir o que é a felicidade. Não sei se é contínua ou intermitente, se ainda faz parte de mim no seu todo ou se me visita apenas de quando em vez. Mas sei que me sinto uma pessoa feliz. Talvez não de forma plena, mas numa perspetiva de "em construção". Todos os dias faço por ver as coisas no seu melhor, mesmo sabendo que pouco se presta a tal. Se todos os dias conseguir arrecadar mais um (que seja) momento de felicidade, pelo menos é menor o espaço que fica livre para a tristeza.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"Vamos patrulhar ali a Pasteleira ou vamos estragar o dia a uns quantos trabalhadores honestos, que estão a minutos de entrar ao serviço?"

 
Eu sempre me dei bem com a Polícia. Nunca me senti intimidada e, apesar de reconhecer que faz muito menos do que deveria, e que se dedica erradamente em exagero a atividades pacíficas em que mostra a sua autoridade em vez de a controlos apertados em ambientes sociais problemáticos e em que tudo acontece às claras, de onde foge a sete pés, sempre a considerei uma instituição séria e merecedora de respeito. Até hoje. Eu já por mim tento abstrair-me de tudo o que a Polícia não faz e de tudo o que se pela de medo em fazer. Mas perceber que fazem um uso absolutamente errado, ridículo e ofensivo da sua posição de autoridade é uma desilusão e fez-me desacreditar em segundos na entidade de segurança. 
Hoje fui maltratada por um agente, que me gritou enraivecido sem razão, que me chamou "estúpida", que me mandou para o "ca****o" e que me ameaçou de me fazer pagar 500 Euros por desrespeito à autoridade, simplesmente porque deixei o carro descair 5cm enquanto falava comigo e eu pedia desculpa. Eu, que nunca ultrapasso limites, que sou uma condutora consciente e que nunca dei pretexto para o que quer que fosse. Estive a milímetros de ser multada em 500€ e com o bónus de ganhar um cadastro todo pomposo de "desrespeito à autoridade", por ter parado ao sinal e por ter deixado descair o carro. 
Sim, Sr. Agente, eu estava mesmo a preparar-me para me por em fuga. Sim, mesmo ali à sua frente e à dos seus quatro colegas ávidos de multas. E sim, eu sou mesmo estúpida por ainda acreditar que as instituições públicas zelam pelos meus interesses.

domingo, 24 de abril de 2011

...


Às vezes, tenho mesmo a sensação que não sou suficiente para ninguém. Tudo o que faço fica sempre aquém do que deveria ser ou daquilo que os outros esperariam de mim. Não bastasse eu já me achar nesta fase de vida muito longe de tudo o que desejo e do que sei que consigo ser, ainda tenho este peso de perceber que não sou tudo o que os outros esperam e de os desiludir constantemente, por mais pequeno que seja o pormenor.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Daqueles posts que ninguém vai ler.


Gostei muito de ter visto ontem a entrevista com o General Ramalho Eanes. Enquanto meio Portugal via e ouvia jogos e relatos de futebol, este grande senhor falava da forma mais franca e objetiva da situação de Portugal, do que a política se tornou, do que está mal, do que está bem, do que é passível de ser mudado, das falsas ilusões em que vivemos, enfim, de tudo o que é o nosso país. Gostei muito de ver aquela clareza e sensatez e cada vez mais admiro a lucidez das palavras deste homem e o seu percurso de vida. Um exemplo para o nosso país.


terça-feira, 19 de abril de 2011

Barriguitas.


Que se passa agora, que toda a rapariga - colega, amiga, conhecida - me está a aparecer grávida? Neste momento, já são quatro (quatro!) e promete não ficar por aqui.  Eu sei que há uma fase da vida em que é natural (e suposto) isto acontecer, mas este boom é tão coincidente, que até assusta. Eu já receio os diálogos que começam por "Queres saber uma novidade?", porque quase de certeza que alguém me vai introduzir na história palavras como "grávida" e "bebé" e expressões como "3 meses" ou "vai nascer em Setembro". É bom ver que há tanta mulher a querer (ou a ter de) apostar numa família, mas tanta aposta ao mesmo tempo? Isto está tudo a ficar tão previsível, que até eu, logo de manhã, com os olhos inundados de sono e o cérebro em modo "pausa" , já consigo ler na cara das pessoas a "tal" novidade. Aconteceu hoje. Tumba, mais uma para a contagem! 
Estou a tornar-me numa "pro" das pré-mamãs, no fundo. 


segunda-feira, 18 de abril de 2011

O agora.

Olhando para o presente, facilmente constato: falta novidade à minha vida. Faltam expectativas, falta um "será que?", falta aquela ansiedade boa que nos faz olhar para a corda e ter de decidir para que lado pender.
Falta muito do que me faz feliz, no fundo.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Momentos.


Vê-lo dormir. Nos meus braços. E descobrir sempre mais um detalhe que me faz gostar ainda mais dele.