segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Que percebo eu de amor?

Eu não sei nada do amor. Não sei explicar como nasce, como vive, como se mantém. Não sei se é fruto do acaso ou de um destino em que alguns acreditam, se é uma coincidência ou um "meant to be". Não sei se tem cor, som, cheiro, imagem. Não sei se é limitado no tempo ou se vive de noções de infinito. Não sei se se faz da fantasia e do sonho ou de pedaços do mundo real. Não sei se é feito de tudo ou de nada disto. Não sei. E não preciso de saber. Porque simplesmente o vivo, todos os dias, sem dúvidas, sem interrogações, de forma tranquila, espontânea e plena, como acredito que o amor deve ser. 
O amor, o verdadeiro, não se explica. Não se questiona. Não tem receita. Vive-se, apenas.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Nova Cosmopolitan

Hoje de manhã fui fazer umas compras e trouxe a Cosmopolitan. Pelos vistos, todo o mulherio sabia que a revista iria ter uma nova equipa a partir de Fevereiro, menos eu. No meio de todas as sacas e embalagens que carregava sem quase conseguir ver o caminho à frente, lá peguei na revista e a meti no saco. Ao chegar a casa e arrumar as coisas, olho para a capa com atenção e vejo os temas. Credo! Que se passou aqui? Que dramas de adolescência são estes? Dou um bocadinho mais de atenção aos títulos e começo a reparar no tratamento por "tu": "Descobre", "Desvenda", "Deves" e mais não sei o quê. Hããã? Perdi algum memorando, de certeza. Cheguei a olhar para o título da revista para confirmar se se tratava mesmo da Cosmopolitan. Confirmei. Era a Cosmopolitan. Muito mudada, muito adolescente, muito "bués", muito igual a tudo. Demasiado informal, quase desconfortável de ler. Deixou de fazer sentido, simplesmente. 

Oh well... é mais uma fonte de poupança.



(E porquê "73 verdades" e não 70 ou 75? Ninguém sabe. Mas diz que é moderno.)



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Depois da tempestade.

Dia de aniversário cá por casa. Muitos sorrisos, telefonemas, carinhos. Aquela alegria que enche o coração e transforma o olhar. 
Pela casa, cheirinho a bolo caseiro. Na cozinha, jantar especial em preparação. 
Lá fora o vento, a chuva, a saraiva, os trovões. Cá dentro, o conforto do melhor que a vida tem e a família nos dá. 
Saber que tudo está bem, apesar da tempestade lá fora. Que mais interessa hoje?



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O meu retrato.

Quanto mais tento andar para a frente, mais me sinto a ser puxada para trás. Sinto-me a desistir a cada passo que dou. Estou desacreditada... em mim, nos outros, neste país. Perdi o sentido do que é a "esperança", o "ânimo" ou a "calma" que tanto me pedem, deixei de conseguir assumir adágios, provérbios e outros ditos populares sobre a persistência, a determinação e tudo o mais que faz parte do mesmo lote. Estou cansada. Sinto-me uma derrotada, uma profissional fracassada nos seus objectivos, uma mulher incapaz de definir um rumo para a sua vida e que, desse modo, compromete o dos que mais ama. Cada vez mais vivo sem expectativas, sem o entusiasmo de um desafio, de um obstáculo, de uma prova que quero dar a alguém. Tenho quase 30 anos e nunca me senti tão inútil, tão vazia e tão descartável como hoje. E não gosto daquilo em que me tornei, em que este país me tornou. Tenho vergonha de pertencer a uma geração muito mais formada que as chefias e que é constantemente pisada; de pertencer a uma sociedade vendida, que desvaloriza o trabalho, a resiliência ou a determinação em detrimento de amizades ou  favores; de pertencer a um país podre, onde todos parecem comer a palha que lhe dão, sem sequer questionar o que quer que seja. Estou cansada do silêncio, da falta de um grito de revolta, da impassividade. De uma inércia balofa que uma geração ainda jovem assume como normal e cómoda. Do parasitismo.

Tenho 29 anos, uma licenciatura, uma Pós-Graduação, um ano de estudos no estrangeiro e vários anos de experiência na minha área... e não tenho emprego. Sou explorada todos os dias num regime independente, que me obriga a pagar valores astronómicos para sustentar famílias inteiras que não fazem nenhum e que se governam muito melhor do que eu à conta de Rendimentos Sociais de Inserção e demais subsídios. Sou obrigada a contribuir para uma sociedade inerte, no fundo. E com a certeza de que as contribuições que agora faço em nada me garantirão o meu futuro ou a minha velhice. Vejo-me a viver num mar de sargaço, como dizia Pessoa, em que não me consigo mover, em que me afundo a cada dia, sem que consiga encontrar um pouco de ar para respirar e ganhar novo fôlego. Estou desacreditada... em mim e nos outros. Perdi a batalha e possivelmente o norte do que ambicionava ser.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Receita de poupança

Ir a um restaurante, resistir às entradas e nem aceitar olhar para a carta das sobremesas. Custa, sobretudo quando as entradas englobam presunto com melão, chamuças e paté de atum e as sobremesas tudo o que é do mais caseiro e irresistível ao olhar. É respirar fundo, deslocar as tentações para a ponta da mesa e investir no pão e nas tostas. Garanto que resulta. E olhem que eu até sou disciplinada, mas resistir a melão e presunto já é toda uma nova categoria de abdicação para mim.