quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Da tolerância

Esta coisa do Carlos Castro está a atingir proporções que me parecem muito questionáveis. Sou intolerante a estes episódios de novela que se começaram a desenhar em muitos programas e revolto-me com os teatros televisivos que se montam a partir de histórias que deveriam exigir o mínimo respeito. Chegou-se a um ponto demasiado baixo, onde se esmiúça sem desdém a vida dos outros, onde se expõe publicamente o que a ninguém diz respeito e onde se coloca em causa os valores de tolerância que tanto custaram a conquistar. Vejo com repugnância o surgimento nas redes sociais de movimentos de apoio ao jovem que cometeu o homicídio e de comentários homofóbicos totalmente imbecis e - para mim - incompreensíveis, sobretudo quando vindos de uma geração muito mais informada e teoricamente mais tolerante à diferença. 
Não percebo as mensagens que circulam, as piadas que se fazem, as teorias que se inventam sobre este crime. Não acho a mínima graça. E não é por se tratar de uma figura pública - eu nunca gostei do Carlos Castro. Detesto a troça que se está a fazer a partir de um caso sério, da facilidade com que um crime hediondo e tão ofensivo pode dar origem a uma chacota nacional e transformar-se de forma tão descabida em matéria-prima para quem quer ter piada. 
Vermelho, sem dúvida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

À espera da guerra

Ninguém me tira a ideia de que este convite a um boicote generalizado à Galp e à BP, que circula por tudo o que é rede social e comunicação electrónica, foi ideia da Repsol. É só olhar para a tabela de preços desta gasolineira, que é claramente a menos simpática neste momento, e perceber que apesar disso, muito veículo automóvel lá faz fila para abastecer ali mesmo, onde o combustível é mais caro, porque se espera (não estaremos a ser um bocadinho crentes demais?) que entretanto surja do nada  uma guerra de preços entre as duas líderes e tudo se resolva. E no meio disto tudo, imagino os senhores da Repsol a apreciar todo o espectáculo à distância e a esfregar as mãozinhas de satisfação, enquanto nós esperamos uma notícia de abertura de um qualquer telejornal que anuncie a desejada batalha de preços. Sonhadores nós. E um bocadinho inocentes.


Verde ou vermelho?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Entre a regra e a insensatez

Em conversa com uma colega, fiquei a saber que existe uma empresa em Portugal (quantas serão, na verdade?) que cria e impões regras tão estritas aos seus trabalhadores que chegam a roçar o impensável. Dizia-me ela que a dita companhia - de renome, diga-se de passagem - apenas autoriza que os colaboradores façam duas pausas ao longo do dia de trabalho, excluindo a hora de almoço. Até aqui, tudo bem, aliás até me parece bem melhor do que aquilo que muitas empresas que por aí andam possibilitam aos trabalhadores. Mas aqui começam os pormenores de requinte. Cada pausa não pode ser superior a 10 minutos (razoável, sim senhor), mas para a usufruirem, os colaboradores têm de se deslocar a uma sala específica para o efeito, a "Sala de Pausa", situada num edifício independente de todos os outros da mesma empresa, assegurando-se sempre que nunca lá estão mais de cinco pessoas, pois essa é a regra imposta. Isto num universo de centenas de trabalhadores. Piora a situação quando a pausa serve para fumar, comer e beber, tudo simultaneamente numa mescla de interesses e necessidades individuais dos cinco que lá estão e que são continuamente observados por quem está de fora, à espera de "entrar" no único espaço da empresa autorizado para uma pausa. Não bastasse tudo o que de errado existe neste cenário, aos trabalhadores não lhes é permitido beber (beber!) água nos seus gabinetes. Ou seja, um colaborador que queira ou necessite de beber frequentemente líquidos - água, no caso - não o poderá fazer sem ser na dita pausa e no referido espaço. E o mesmo se aplica a tomas de medicamentos e a telefonemas urgentes de carácter pessoal. Parece que ainda não chegou às idas à casa de banho, valha-nos isso. O maior insólito, no entanto, está no facto de estas regras que impedem a ingestão de água pelos colaboradores nos próprios gabinetes ter surgido muito antes da proibição de fumar nos mesmos. Ou seja, desde cedo que não se pode beber água ou ter sequer uma garrafa junto à secretária de trabalho, mas sempre se pôde, até ter entrado a lei do tabaco há dois anos, fumar dentro dos gabinetes (que, por sinal, são bastante fechados e sem saídas visíveis de ar para o exterior).
Surgiu esta conversa porque a minha colega, numa consulta da medicina no trabalho, descobriu estar a desenvolver um pequeno problema nos rins. A conselho médico, terá de beber água várias vezes por dia, algumas vezes por hora. Mesmo tendo dado conta da situação ao departamento responsável, foi informada de que nada será alterado, pois - segundo a política da empresa - a pessoa em causa não pode constituir por si só uma excepção a toda a regra. Perante a minha estupefacção, ela explicou que ninguém se insurge porque a empresa é de renome, tem uma excelente imagem e credibilidade cá fora e oferece uma estabilidade financeira e profissional como poucas outras no país. O que, apesar de tudo, e talvez infelizmente, não deixa de ser verdade. E entretanto vamos vivendo nesta desumanidade crua e fria em que a nossa sociedade se tornou.

Verde ou vermelho?

A cor

Verde Vermelho não é uma cor. Não é uma tradução de preferências clubísticas. Não é uma representação da pátria. Verde e Vermelho é uma metáfora para o que se passa à nossa volta, para o pára-arranca em que vivemos, para o estado em que estamos, para o que de bom e de mau se deve destacar, valorizar, apontar, corrigir. Verde e Vermelho são duas noções do que é certo e do que pode estar errado. E do que nos diz para andarmos ou ficarmos imóveis.
A verde e a vermelho. Eu e quem mais chegar. Bem-vindos.